sábado, 19 de maio de 2007

Quando você está triste

Raiva, medo, inveja, ciúme... Há uma lista bem grande de sentimentos negativos que nos assolam vez por outra. Podemos tentar dominá-los, ou nos entregar um pouquinho a eles, até nos sentirmos fortes o suficiente para levantar e dar a volta por cima.

Mas a tristeza, essa, é um sentimento especial. É um friozinho no coração, uma lassidão nos membros, uma coisa que domina a gente e envenena tudo de bom que há por perto.

Se há remédio? Sim, existe. Mas algo que faz efeito hoje, pode ser totalmente inócuo na próxima vez. Então eu sugiro, para combater a tristeza, usar e abusar das coisas boas, aquelas que nos fazem felizes, e nos aquecem o coração. Uma conversa sincera com um bom amigo; ficar na cama até enjoar, em um dia frio; ouvir uma seleção bem escolhida das suas músicas preferidas; assistir a uma comédia daquelas que fazem você se dobrar de tanto rir. Entra na lista receber a atenção e carinho de alguém que se importa com você.

Para combater o frio no coração ou no resto do corpo, vai hoje a receita de deliciosa sopa de palmito!

Sopa Cremosa de Palmito


1 litro de água fervente

2 tabletes de caldo de galinha

2 colheres (de sopa) de farinha de trigo

1 gema

1 lata de palmito picado

1 lata de creme de leite

Salsa picada

Dissolva o caldo de carne na água fervente. Em meio copo de água fria dissolva a farinha e a gema, misturando bem. Acrescente essa mistura à água fervente, mexendo bem para não embolar. Junte o palmito picado e o creme de leite, e aqueça bem, sem deixar ferver. Na hora de servir polvilhe a salsa por cima.


Dica: Não seria legal se você fosse o bom amigo vai tirar alguém da tristeza?


domingo, 29 de abril de 2007

Preguiça, no feriado, pode!

O senso de responsabilidade me trouxe até aqui, para tentar atualizar o blog com novidades.
Mas, feriado com friozinho, é bem mais gostoso ficar à frente do fogão cozinhando, ou embaixo das cobertas, vendo um bom filme, e comendo bolachinhas.
Então, amigos, deixo aqui a receita, e vou me mandando...

Biscoito de baunilha


1 xícara de margarina de culinária

2/3 de xícara de açúcar

1 colher (chá) de sal

2 colheres (chá) de baunilha

2 ovos

2 e ½ xícaras de farinha de trigo

Bata a margarina com o açúcar até formar uma pasta. Junte a baunilha, o sal e os ovos, um de cada vez, batendo sempre. Junte a farinha peneirada e bata bem. Com uma colher de chá, coloque a massa em uma assadeira, sem untar. Use uma colher ou garfo enfarinhado para achatar os montinhos de massa. Leve ao forno até que os biscoitos fiquem dourados.

Dica: Vai bem com chá ou chocolate quente!

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Culpa! Culpa! Culpa!

A culinária está cheia de pratos maravilhosos, tentações às quais freqüentemente nos rendemos para depois nos afogarmos no sentimento de culpa.

Já percebi que esse sentimento é tão disseminado, que mesmo as pessoas que não lutam contra a balança sentem-se culpadas depois de uma orgia alimentícia. E o triste nisso tudo é que a culpa acaba minando o prazer que se deveria sentir.

Mas não são apenas os prazeres da mesa que acabam prejudicados por um sentimento que não nos deixa usufruir completamente as coisas boas da vida. Por exemplo, sempre tive "um pé atrás" com a frase que é, talvez, a mais citada do Pequeno Príncipe: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." É uma frase maravilhosa, mas acredito que muitas pessoas preferem não cativar ninguém para não arcar com a tal responsabilidade. Ou seja, é melhor evitar logo de cara a possibilidade de um dia chegar a se sentir culpado.

Como conviver com isso, ou melhor, como enfrentar esse sentimento? Com leveza, talvez. Com risadas. Aceitando as pequenas e as grandes alegrias, e vigiando, apenas, para que não prejudiquem a ninguém. Porque a culpa, em geral, é um exagero dessa vigilância.

Uma das canções dos Beatles tem uma frase que (embora eu a empregue completamente fora do contexto da música) dá uma pista sobre a atitude que deveríamos ter diante das coisas legais que nos acontecem: "Yes, she loves you, and you know you should be glad." (algo como: "Ela te ama, e você deveria estar contente." ). Sim, apenas ficar contente e seguir a vida. Mas, se ele não está contente, eu imagino que é porque está pensando no problema de ser "eternamente responsável por aquilo que cativou".

Ou seja: "Você comeu sozinho um maravilhoso pudim brigadeirão; deveria estar contente, mas está se afogando no sentimento de culpa!"

Então, faça o teste, prepare o pudim! Não precisa comer inteiro, mas usufrua com prazer o que comer. E, pelo amor de Deus, não vá jogar o pudim inteiro fora!

P.S. Essa história da culpa é muito complexa. Acho que voltarei ao assunto em outras ocasiões.

Pudim Brigadeirão

2 latas de leite condensado

1 vidro (200 ml) de leite de coco

4 ovos

1 colher (de sopa) de margarina

1 xícara de chocolate em pó

Bata todos os ingredientes no liqüidificador e coloque em uma forma de pudim untada com margarina e polvilhada com chocolate em pó.

Leve ao forno em banho-maria de 35 a 60 minutos, ou até que esteja firme. Desenforme frio.

Dica 1 – Para usar o banho-maria no forno, coloque a forma de pudim dentro de outra, redonda, por exemplo, maior do que ela, e coloque no forno quente. Com uma caneca ou chaleira, coloque água fervente na forma maior. Não coloque água fria, porque demora muito para atingir a temperatura que vai cozinhar o pudim.

Dica 2 – Leia o Pequeno Príncipe. Há muitas outras frases lindas no livro, que escondem, na sua simplicidade, belas lições de vida, como essa: "É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas".

O Avestruz

O nome do livro é "Histórias sobre o mundo real", do Dr. Richard A. Gardner, e é um livro para crianças.

Uma das tais histórias é sobre um garoto que não aceita conversar sobre seus problemas. Quando ele faz algo errado (tirar uma nota baixa, ser egoísta com seus brinquedos), seus pais e professores tentam conversar com ele e ajudá-lo a se corrigir, mas ele sempre coloca as mãos nos ouvidos e fecha os olhos, dizendo: "Não quero ouvir nada!".

Um dia, sua mãe, cansada da situação, desabafa: "Você é igualzinho ao avestruz. O avestruz enterra a cabeça na areia, quando algo de ruim está para acontecer, a fim de não ver nem ouvir nada.".

O pai, então, interfere, dizendo que não é bem assim. Ele explica que as pessoas pensam que o avestruz é covarde, mas que isso não é verdade. Se o avestruz enterrasse a cabeça na areia na hora do perigo ele não ouviria nada, e não estaria fazendo nada para se defender. O que ele faz, na verdade, é abaixar-se atrás dos arbustos para observar bem o que acontece à sua volta e prestar atenção a tudo. Assim, se um leão o ataca, ele fica observando o adversário se aproximar e, no melhor momento, foge correndo com suas longas pernas, ou, se isso não for possível, luta com o leão, ferindo-o com suas fortes unhas. Mas, muitas vezes isso não é necessário, porque quando o avestruz se abaixa o leão o acaba perdendo de vista, e vai embora.

O garoto da história acaba percebendo, com a metáfora, que fugir dos problemas não é a melhor solução. Que ele estava realmente "enterrando a cabeça na areia" diante de seus problemas, e que com isso ele não estava fazendo nada para resolvê-los. Ele passou a aceitar o diálogo com seus pais e professores, e percebeu que, discutindo seus problemas, eles ficavam mais fáceis de serem superados.

E o que tudo isso tem a ver com culinária? Não, eu não vou indicar agora uma receita de ensopado de avestruz (rsrsrs!).

Em minha opinião, preparar junto com alguém uma receitinha qualquer é a maneira ideal de iniciar uma conversa difícil. E tem a vantagem de, no final, ter um prato gostoso para degustar.

O gnocci é uma receita que dá um pouco de trabalho, mas é muito gostoso de fazer (e comer) a dois. Então, mãos-à-obra!

Gnocci

5 xícaras de batata cozida e amassada (fria)

2 colheres (de sopa) de margarina

1 ovo grande ou 2 pequenos

2 ½ xícaras de farinha de trigo

Sal

Farinha para espalhar na mesa

Misture a batata, a margarina, o ovo e as 2 e ½ xícaras de farinha. Acrescente uma pitada de sal e amasse. Fica um pouco grudenta, a massa, mas deve ser possível moldá-la em cordões. Se necessário, coloque mais um pouco de farinha.

Depois de fazer os cordões e estendê-los na mesa enfarinhada, corte-os em pequenos pedaços e cozinhe em água fervente com sal. Os pedaços estarão cozidos quando subirem à superfície, e devem ser retirados com uma escumadeira.

Dica – Se você encontrar por aí, leia o livro do Dr. Gardner. Tem outras histórias interessantes.

sábado, 24 de março de 2007

The crazy black woman

A primeira receita deste blog deveria ser esta, porque é o "encantamento" mais poderoso que conheço, e que não poupa nem a quem o prepara...

Em uma pesquisa pela internet, observei que a receita quase não tem variações, e que sua origem deve ser portuguesa, pois é tão popular lá quanto aqui. Achei a expressão que dá nome ao bolo até em inglês, e valeu o registro no título.

O engraçado é que tem muita gente que esconde a receita, o que prova seu valor de sedução.

Sem mais palavras, o melhor é fazer logo esse bolo e confirmar a delícia que é!

Nega Maluca

2 xícaras de farinha de trigo

2 xícaras de açúcar

1 xícara de chocolate em pó

1 colher (de sopa) de fermento em pó

1 xícara mal-cheia de óleo

1 xícara de água fervente

4 ovos

Misture os ingredientes secos. Acrescente o óleo e, em seguida a água fervente. Misture muito bem. Junte à mistura os ovos, um a um, mexendo sempre. Leve para assar em forma untada e enfarinhada.

Cobertura

1 xícara de açúcar

1 xícara de chocolate em pó

3 colheres (de sopa) de margarina para culinária

3 colheres (de sopa) de leite

Misture tudo em uma panela e leve ao fogo até ferver. Espalhe quente sobre o bolo quente.

Dica – Em geral, nas minhas receitas que vão ao forno, eu não indico o tempo de cozimento. Pela minha experiência isso varia bastante em função da potência do forno. O tempo médio para um bolo é de 30 minutos, mas eu prefiro fazer a conferência visual: o bolo deve ter parado de crescer, e estar bastante "estável". E eu sempre verifico a cor das bordas, para não deixar queimar. Por fim, eu sempre uso um palito para conferir se o bolo está bem assado no meio. Ao enfiar o palito, ele deve sair limpo.

Educação feminina

Dos 8 aos 17 anos, estudei em colégio de freiras, do tipo que só aceitava meninas. E por todo o resto da minha vida sempre me deparei com uma série de preconceitos que as pessoas costumam formular contra essas instituições.

A mais comum: "as freiras são malvadas, ao contrário do que a religião delas prega.". Mas há outras: "colégio feminino serve para formar mulheres submissas" e "colégio religioso é um tipo de prisão".

Talvez eu tenha tido muita sorte, mas nos três colégios pelos quais passei nunca me senti numa prisão. Em um deles, me lembro bem, a grande maioria das alunas ia ao colégio aos sábados, voluntariamente, para praticar atividades esportivas e culturais. Um clube de final de semana.

E se essas escolas pretendiam me tornar submissa, fizeram um trabalho muito mal-feito. Em uma delas, nos anos finais da ditadura, discutíamos os pontos positivos e negativos dos serviços públicos, e aprendíamos o significado de cada um dos artigos da Constituição que tratam dos direitos e garantias individuais. Somente hoje eu tenho consciência de que não era qualquer colégio que permitiria esse tipo de discussão naqueles tempos repressores.

Em uma turma só de meninas, muitas se destacaram como contestadoras e como garotas de opinião. Imagino que a presença de garotos na turma traria algumas vantagens, mas muitos talentos ficariam ocultos. Não estou sendo preconceituosa, não! Ainda hoje há professores que consideram as meninas menos aptas para a Matemática do que os meninos. Naquela época eu não tinha a menor idéia sobre isso.

Na verdade, estávamos protegidas da guerra dos sexos. Dentro da escola podíamos cultivar nossos talentos, ser líderes, participar do Grêmio, e ninguém nunca nos disse: "isso é coisa de menino".

Nesse contexto, as aulas de culinária eram apenas uma oportunidade de desenvolver um talento a mais. A professora, D. Vanda, era uma senhora já de certa idade, que fazia questão de que sempre usássemos avental, e lenço na cabeça. Com ela aprendi a fazer molho de tomate, em épocas anteriores ao molho enlatado. Esse evento foi muito importante, porque antes disso, eu não aceitava nenhum molho no macarrão!

Mas a receita de D. Vanda que eu mais repito, hoje em dia, é o bolo de cenoura, novidade na época, mas que hoje é absolutamente popular.

Bolo de Cenoura com Calda de Chocolate

2 cenouras grandes

4 ovos

1 xícara de óleo

2 xícaras de farinha de trigo

2 xícaras de açúcar

1 colher (de sopa) de fermento

Bata no liqüidificador os ovos e o óleo. Junte as cenouras, raspadas e picadas, e, por fim, o açúcar. Em uma vasilha, peneire a farinha e o fermento. A eles, junte a mistura do liqüidificador e misture bem. Asse em forma untada e polvilhada.

Calda de chocolate

8 colheres (de sopa) de açúcar

4 colheres (de sopa) de leite

3 colheres (de sopa) de chocolate em pó

3 colheres (de sopa) de margarina de culinária

Misture tudo e leve ao fogo até engrossar. Espalhe sobre o bolo já assado.

Dica – Evite as margarinas cremosas e halvarinas na cobertura. O resultado é melhor com margarina de culinária.

segunda-feira, 12 de março de 2007

A fonte da juventude

O segredo da juventude, segundo um amigo, é estar sempre disposto a experimentar coisas novas. Ou dar uma nova chance para coisas que não foram agradáveis na primeira vez.
Eu nunca gostei de berinjela. Não era um legume comum em casa quando eu era criança, e, nas poucas vezes em que apareceu, não fez sucesso.
Mas, anos depois, comi, na casa da minha sogra, fatias de berinjela à milanesa, e adorei. O impulso de experimentar foi provocado pela "milanesa", devo confessar, mas valeu a pena. A partir desse dia resolvi buscar outras receitas com berinjela, que acabou se tornando meu legume favorito.
A receita abaixo é uma das minha preferidas. Se você não se animou de experimentar, não tem problema. Talvez você prefira buscar a auto-renovação ouvindo um tipo diferente de música, ou revendo um filme antigo...

Berinjelas Napolitanas

2 berinjelas médias em rodelas
1 dente de alho amassado
1 cebola grande em rodelas
4 tomates em rodelas
2 colheres (de sopa) de caldo de galinha granulado
Orégano
½ xícara de azeitona preta picada
½ xícara de azeite
Em um prato refratário, arrume os ingredientes em camadas. Termine com uma camada de tomates e regue tudo com o azeite. Cubra com filme plástico (deixando uma fresta) e leve ao forno de microondas, em potência alta, por 15 minutos. Ou cubra com papel alumínio e leve ao forno convencional, em temperatura média, de 45 minutos a 1 hora.

Dica: Vai muito bem com qualquer massa, inclusive a "Lasanha de véspera".